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domingo, 14 de novembro de 2010

Homem procurado liga para polícia na Grande BH e pede para ser preso

Um homem procurado pela polícia foi preso neste domingo (14) em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, depois de ligar para o 190 e dizer que queria ir para a cadeia. De acordo com a Polícia Militar, o homem, que é procurado por tráfico, informou que era foragido da Justiça e que estava se entregando. Ele disse que precisava apenas se despedir da família, segundo a PM, antes de ser detido.

Por meio do prontuário da corporação, a PM confirmou a identidade do homem, e uma viatura foi até o local informado, no bairro Borba Gato. Ainda segundo os policiais, quando chegaram ao endereço, o homem estava na rua, aguardando. Ele foi detido e encaminhado para a 30ª Delegacia da Polícia Civil, em Sabará.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Tiririca 'leu e escreveu' em audiência, diz presidente do TRE-SP

Deputado federal eleito participou de audiência na Justiça eleitoral.
Processo apura escolaridade e veracidade da declaração de alfabetização.

Roney Domingos Do G1 SP

Tiririca acena ao chegar ao prédio do TRETiririca acena ao retornar ao prédio do TRE-SP após o almoço (Foto: Roney Domingos/ G1)

O presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo, desembargador Walter de Almeida Guilherme, disse na tarde desta quinta-feira (11) que o deputado federal eleito Francisco Everardo Oliveira Silva, o palhaço Tiririca, "leu e escreveu" durante audiência realizada para apurar a veracidade de sua declaração de escolaridade.

A sessão foi retomada à tarde para que sejam ouvidas as testemunhas de acusação e de defesa. Tiririca não quis se submeter à coleta de material para perícia, mas o desembargador entende que a realização do teste acabou superando a necessidade de nova análise de sua grafia. "Este teste acabou dando o resultado que daria a própria perícia", disse o desembargador.

O presidente do TRE não quis comentar o desempenho de Tiririca, deputado federal mais votado do Brasil, com 1,3 milhão de votos.

"Não conheço o processo e seria leviano dizer. É o juiz (responsável pelo caso) que vai dizer isso", afirmou o desembargador. "Foi ditado e ele escreveu. Se escreveu mal ou bem, não vou dizer, não sei. Na hora de ler, ele leu. Se bem ou mal, é o juiz que vai avaliar", afirmou.

Durante o teste, Tiririca teve de ler o título e o subtítulo de duas páginas de um jornal paulistano. Os textos são da edição desta quinta: uma reportagem sobre o filme que homenageia Ayrton Senna e outra sobre a ação do Procon sobre estabelecimento que vendia produto vencido.

Ele também foi submetido a um ditado, extraído do livro “Justiça Eleitoral – Uma Retrospectiva”. O deputado eleito teve de reproduzir o seguinte trecho: “A promulgação do Código Eleitoral, em fevereiro de 1932, trazendo como grandes novidades a criação da Justiça Eleitoral”.

"Ele veio de manhã para fazer eventualmente uma perícia. Ele se recusou a fazer a perícia como permite a lei no sentido fazer dado de auto-incriminação. Mas o juiz na sua prerrogativa pediu a ele que se submetesse a um teste. Então o juiz fez um ditado, aleatoriamente, que caiu na página 51. Ele escreveu aquilo que foi dito. Depois o juiz perguntou se ele se submeteria a um teste de leitura e ele leu, título e subtítulo", afirmou Guilherme.

Tiririca chegou por volta das 9h à sede do TRE, na Bela Vista, região central de São Paulo. Ele estava acompanhado por seguranças, que estavam em outro veículo. Antes de entrar no elevador, fez um breve aceno aos repórteres que o aguardavam em frente ao edifício.

Segundo o presidente do TRE, é possível que a Justiça Eleitoral decida ainda nesta quinta a ação penal. “É possível que ele [o juiz da 1ª Zona Eleitoral, Aloisio Sérgio Rezende Silveira] decida hoje”, disse o desembargador ao chegar ao tribunal.

Ação penal
Segundo o TRE, a resolução nº 23.221 dispõe que "a ausência do comprovante de escolaridade poderá ser suprida por declaração de próprio punho, podendo a exigência de alfabetização do candidato ser aferida por outros meios, desde que individual e reservadamente".

A denúncia, oferecida pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), foi recebida em 4 de outubro com base no artigo 350 do Código Eleitoral, que prevê pena de até cinco anos de reclusão e o pagamento de multa por declaração falsa ou diversa da que deveria ser escrita para fins eleitorais em documento público.

domingo, 7 de novembro de 2010

São Paulo onde o Lugar de Formiga é no Prato

Em Silveiras, até a prefeita come os bumbuns das içás, formigas aladas.
Especialista diz que consumo é saudável; aprenda a receita em fotos.

formiga

Quando os trovões ecoam nos dias claros da primavera, duas populações despertam na pacata Silveiras, no interior de São Paulo, para um tradicional embate que ocorre todos os anos, sempre nos meses de outubro e novembro. De um lado, formigas saúvas, aquelas fêmeas aladas chamadas de içás, do tamanho de marimbondos. Do outro, parte dos moradores da cidade de pouco mais de 6 mil habitantes. Durante as pancadas de chuva, ocorrem as revoadas de acasalamento das içás com os bitus, os machos dessas formigas. Mas em vez de saírem das tocas para encontrar parceiros, os insetos correm o risco de se depararem com homens, mulheres e crianças dispostos a caçá-los e levá-los do formigueiro para as panelas.

O costume de pegar as içás para fritar e comer os bumbuns delas foi herdado dos indígenas e passado através dos tempos aos tropeiros, antigos montadores de mulas. A tradição popular de consumir essa iguaria ainda se mantém viva no município cortado por fazendas, vegetação densa, casas coloridas e ruas de paralelepípedo por onde passam mais carroças do que carros. Mais de 50% da população de Silveiras come formigas, seja como petisco, tira-gosto ou na farofa, segundo a prefeitura. A reportagem visitou a cidade no final de outubro para saber por que Silveiras é conhecida como a capital da içá.

O consumo dessas formigas voadoras não se restringe somente a uma identidade cultural de Silveiras. Ele também ajuda a aquecer a economia local. O Festival das Içás, realizado anualmente com recursos da iniciativa privada, dá trabalho temporário aos habitantes e gera um comércio informal dos formigueiros aos restaurantes. Pelas ruas é possível ver içás pintadas em paredes e em artesanatos, como os da artista Vânia Cardoso, de 40 anos, que se inspira nos insetos.


formiga

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Mesmo se for analfabeto, Tiririca será diplomado!

Eleito deputado federal mais votado do país, com 1,35 milhão de votos, Francisco Everardo Oliveira Silva (PR-SP), o Tiririca, deverá decidir em breve se irá comparecer a uma audiência que colherá material gráfico para comprovar que ele sabe ler e escrever. O juiz da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, Aloisio Sérgio Rezende Silveira, informou que marcará a audiência, mas não definiu ainda a data. Após votar no domingo (31), em São Paulo, o humorista fez apenas uma afirmação sobre a possibilidade de realizar o teste: "Tranquilo".

O encontro deverá ser fechado para evitar constrangimento. O comparecimento do humorista não é obrigatório, mas seu advogado, Ricardo Vita Porto, afirmou que, se for determinado pelo magistrado, Tiririca não irá se opor à realização do teste que pode comprovar sua alfabetização. "Foi levantado o questionamento e ele vai provar que é alfabetizado", garante Vita Porto.Caso Tiririca compareça à audiência e o material seja colhido de forma satisfatória, ou seja, se ele for capaz de ler um texto simples e de escrever poucas frases, ele poderá ser absolvido sumariamente, segundo o juiz. No entanto, se o magistrado não considerar as provas satisfatórias, será dada continuidade ao processo, com depoimentos de testemunhas.

De acordo com a assessoria da Procuradoria Regional Eleitoral (PRE), mesmo que o exame seja realizado e comprove o analfabetismo, ele será diplomado em dezembro. Caberá à PRE solicitar a cassação da diplomação e, com isso, impedir que ele tome posse. No caso de isso ocorrer, os votos em Tiririca serão considerados nulos e haverá mudanças nos deputados que foram eleitos graças ao coeficiente eleitoral.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Massacres nos EUA esquentam debate sobre armas no governo Obama

Mudança na administração federal impulsionou venda de armamentos.
Em um mês, foram registrados ao menos 7 tiroteios e mais de 30 mortes.

Parentes de uma das vítimas do massacre ocorrido em Binghamton fazem homenagem no local do incidente (Foto: AP)

Em um lamento emocionado pouco após saber da morte de seu marido no massacre ocorrido em uma associação cívica na cidade de Bimghamton, nos Estados Unidos, a professora pernambucana Márcia Pereira Lins Alves responsabilizou a falta de controle de armamentos no país pelo incidente. “Um desequilibrado comete uma loucura dessa. Isso porque lá eles vendem armas abertamente. É muito difícil”, disse, chorando.

O professor universitário Almir Olimpio Alves, de 43 anos, foi uma das 13 vítimas do vietnamita que abriu fogo dentro de um centro de ajuda a imigrantes, e depois de suicidou. O crime foi na sexta-feira (3), numa cidade do Estado de Nova York.


“Ela está certa”, disse, em entrevista ao G1, Chad Ramsey, diretor do grupo Brady Campaign, que atua no país contra a proliferação desenfreada de armas. “As leis que regulam as armas de fogo nos Estados Unidos são totalmente fracas. Não controlamos, deixamos que pessoas perigosas se armem e acabamos permitindo de 30 mil pessoas sejam mortas por armas de fogo todo os anos.”

De fato, segundo uma reportagem publicada pelo jornal “USA Today”, o vietnamita Jiverly A. Wong já era um cliente conhecido de uma loja de armas da cidade de Johnson, aonde ia regularmente comprar e trocar armamentos. Ele costumava comprar pistolas, usar por algum tempo e depois trocar por outra arma. “Atualmente, até mesmo quem está numa lista de suspeitos de terrorismo pode comprar uma arma legalmente e sem que haja nenhum empecilho. O vietnamita podia comprar quantas armas quisesse. Não há regulamentações que dificultem seu acesso a armas”, disse Ramsey.

Wong “era um freguês fiel [da loja]. Todos o conheciam”, contou um dos vendedores da loja. Segundo a polícia, menos de um mês antes do massacre, o vietnamita havia comprado uma nova pistola. No local em que Wong matou 13 pessoas antes de atirar contra si mesmo, a polícia encontrou duas pistolas semiautomáticas e uma bolsa cheia de munição.

Mercado em alta


A presença frequente do vietnamita numa loja de armas poderia passar totalmente despercebida neste início de ano. A mudança de governo nos Estados Unidos em meio a uma profunda crise econômica tem sido muito positiva para o mercado de armas. Representantes de grupos de defesa de armas de fogo e fabricantes têm chegado a ficar sem estoque, e muitos Estados do país estão sem munição para vender. Tudo em grande parte por medo que o novo governo altere as leis que regem o mercado de armamentos.

O Secretário de Justiça do novo presidente, Eric Holder, sugeriu que o presidente Barack Obama é a favor de restituir uma proibição à venda de algumas armas (a maioria de uso militar), seguindo algo proposto pelo governo de Bill Clinton.

“O aumento na procura por armas se dá por conta da retórica de instituições como a Associação Nacional do Rifle (NRA), que fazem campanhas acusando o presidente de ser contra a liberdade de comprar armas. Eles encorajam as pessoas a se armarem e a se colocarem contra o governo”, disse Ramsey.

Estes tipos de armamento semiautomático ou de uso militar são os que tiveram maior alta nas vendas, segundo representantes do mercado ouvidos pelo “USA Today”. Segundo lojistas, não há um perfil típico dos compradores, e até velhinhas têm ido às lojas em busca de armas e munição.

“Depois de uma eleição, quando se tem a mudança de partido para o lado mais liberal, acredito que os conservadores querem proteger o que acham que pode ser tirado deles, seja por novos impostos ou por uma proibição total”, disse um gerente de distribuição de armas ouvido pelo jornal.
O diretor do grupo antiarmas admitiu que o novo governo pode ser mais favorável a um aumento nas regras para venda de armas. “Estamos mais otimistas com o governo Obama, o Departamento de Justiça do governo Bush tinha uma forte ligação com o NRA e foi contra qualquer forma de regulamentação da venda de armas. Com o novo governo, vemos uma maior defesa de leis que atuem contra a violência com armas de fogo.”
Segundo ele, a prioridade é fazer com que o governo exija que haja uma análise do histórico da pessoa que quer comprar uma arma. Atualmente, isso não existe, e as armas são vendidas livremente. “Sabemos que vai ser difícil, pois o congresso é muito contrário a qualquer lei que dificulte e venda de armas no país. É preciso fazer mais, mas checar o passado já é um primeiro passo importante.”

Série de massacres

O incidente que tirou a vida do professor pernambucano foi o mais grave de uma série de tiroteios ocorridos no último mês em diferentes regiões dos Estados Unidos. Foram pelo menos sete casos desde o início de março, totalizando cerca de 40 mortos.
Segundo Ramsey, é difícil apontar uma causa comum para tantos casos de violência no último mês. “Sem dúvida as décadas de venda livre de armas não ajudaram”, disse. Para ele, entretanto, é preciso considerar que a crise econômica deixa as pessoas em situação mais crítica, o que sempre se traduz em aumento da violência. “Até que tenhamos uma regulamentação mais séria contra a proliferação de armas, continuaremos assistindo a massacres como o que ocorreu na última semana.”
O G1 tentou entrevistar representantes de grupos de defesa da venda livre de armas nos Estados Unidos, como o NRA, mas não obteve resposta. Em entrevista concedida dois anos atrás, por ocasião do massacre na universidade Virginia Tech (o pior já registrado em uma instituição de ensino no país, quando morreram 32 pessoas), o diretor de relações públicas da associação Gun Owners of América, Erik Pratt, alegou que a presença de alguma outra pessoa armada na universidade teria evitado que tantas pessoas morressem, defendendo que o aumento no número de pessoas armadas diminuiria a violência.
Contra este argumento, Ramsey, disse que armar pessoas sem preparo só piora o risco de mortes. “No fim de semana vimos um tiroteio em que três policiais armados e bem-treinados foram alvejados por um único cara com uma AK-47. Ter mais pessoas armadas só iria piorar tudo.”